Das inutilidades.
Iêmem. Omã. Emirados Árabes Unidos. Barheim… Talvez, se Barhein não tivesse aparecido como resposta de uma questão do mais concorrido exame de vestibular do Brasil, a Fuvest, nenhum vestibulando saberia o nome e a posição exata de todos os países do Oriente Médio hoje. Não ignorando a importância da região, mas associando o caso a aparente necessidade de conhecer o nome dos acidentes geográficos europeus e as equações trigonométricas para desenhar um círculo no plano cartesiano, fica a pergunta sobre a necessidade de tais conhecimentos à vida prática.
Não novidade que a maioria dos currículos escolares são determinados pelo conteúdo questionado nos exames de vestibular; ocorre que, devido à grande concorrência e aos excessos, questões que pedem conhecimentos específicos demais, os alunos acabam nivelados pela “mediocridade respeitável”: são obrigados a estudar principalmente o que não sabem para que tenham um diferencial na hora da prova, diferencial que talvez nunca mais seja utilizado.
A questão mais paradoxal, porém, encontra-se nas reclamações das faculdades: boa parte dos que pleiteiam a uma vaga seria incompetente como leitores e escritores; podem conhecer a matéria cobrada, mas não possuem as habilidades básicas da língua portuguesa que deveriam ser ensinadas nas escolas. O foco deveria passar, então, do ensino muito específico das ciências, tanto exatas quanto humanas e biológicas para o conhecer eficiente das linguagens, português e matemática, o que já elevaria o aproveitamento das outras matérias. Menos “decoração” de conceitos, mais interpretação de texto, menos fórmulas matemáticas, mais raciocínio lógico.
Pronto! Se seguidos esses parâmetros, teremos um bando de tecnocratas prontos para fazer, fazer… e fazer!? Implantar outras informações a serem “bombardeadas” transformaria a capacidade de produção das pessoas, mas só isso não basta. A humanidade conheceu todas essas matérias por tempo demais e, hoje, o relógio da destruição mundial está nos últimos minutos. Há de se desenvolver o ser humano; a sua capacidade de viver em sociedade; a de melhorar a sociedade. Conhecer sem esse enfoque é desconhecer, é pregar a inutilidade. Tomando a literatura como exemplo: transformou-se da única matéria ligada diretamente ao entendimento e desenvolvimento humano e apenas mais uma matéria do currículo. Considerada por muitos uma das mais “chatas”.
Desenvolver o ser humano. Complicado neste início de século; o novo século da tecnocracia… Desenvolverêmo-la então, a tecnocracia. No entanto, enquanto Barheim for uma pergunta de nossos vestibulares, decisiva como qualquer outra, além de criarmos alunos mais neuróticos, continuaremos na “mediocridade respeitável” e, assim, no subdesenvolvimento.