A idealização do gênio: o mau do século XX.
Deparamos-nos com figuras fantásticas, quer porque são realmente, ou por serem o resultado de anos na formação de um mito. Mito ou não, a idealização do ser através de termos como genialidade são prejudiciais à formação de pessoas e da sociedade.
É muito comum ser surpreendido pelos feitos históricos, principalmente quando retratados por filmes. Com a “glamourização” desses atos, heróicos ou científicos, eles elevam-se à um patamar, que, idealizado, parece inatingível..
As pessoas, por acomodação ou descrença em seu próprio potencial, tendem a chamar indiscriminadamente personalidades com grandes realizações de gênios, ou dotados de alguma capacidade especial: “nossa essa pessoa tem o dom”.
Sendo genialidade e dom qualidades relacionadas sempre à fatores genéticos, todos os outros, como o meio em que a pessoa se desenvolveu, a garra e determinação, horas de empenho são jogados para segundo plano. À Bethoveen, é atribuída a frase: “música é dez por cento inspiração e noventa por cento transpiração. Mozart só tocou aos sete anos para a rainha da Inglaterra pois seu pai, um dos maiores professores de música de seu tempo, começara a ensinar o garoto aos três. Mesmo Leonardo Da Vinci; é tolice dissociar seus feitos, ao aclamá-los e tentarmos entendê-los, dos fatos que o levaram a realizá-los. Descendente de contadores, não pôde exercer a profissão da família pois não aceitavam filhos bastardos para o aprendizado escolástico do ofício, o que nos presenteou com um dos maiores pensadores da humanidade. Com a influência de sua família e seu grande potencial em uma das épocas mais propícias ao desenvolvimento da arte e da ciência, o Renascimento, Da Vinci estudou e esteve em contato com grandes mentes de seu período; passou a vida analisando tudo o que pôde com notável curiosidade.
Não importa o tamanho das conquistas de uma pessoa, o importante é sempre lembrar que ele é um ser humano e há muito mais do que apenas a genética para explicar seus feitos. Também não podemos vislumbrar nostalgicamente os antigos mestres e simplesmente cobrar feitos tão espetaculares quanto os daqueles de uma nova pessoa. Não olhar para o meio em que se desenvolve o ser, mas simplesmente para seus atos torna tal ambição uma tolice. Além disso, criações e atos são difíceis de serem comparados.
Idolatremos e haverá seguidores. Idealizemos e idealizaremos, idealizaremos, idealizaremos…
January 3, 2008 at 12:26 am |
Bom o texto!
Concordo…
Detesto quando dizem “Ah, mas você é inteligente!” ou “fulaninho é gênio em matemática, queria ser assim!”… especialmente quando quem diz é alguém totalmente away dos estudos… que não percebe que pra se conseguir alguma coisa, tem que ir atrás! =P ficar sentado não adianta…
April 29, 2009 at 1:27 pm |
mande sempre noticia